Carta aberta a Zanati:
Zanate, que disparate…. agora é que fazes parte?
Depois de tanta arte
Em esconder
O que de ti faz parte
Tás nesta da visiblidade
O que pode ser vaidade
No entanto, neste país
Cheio de atavismos
De coisas boas
e abismos
Fizeste bem em não cair
Como eu
Na armação
de dar a cara bem cedo
sem estatuto e sem medo!
És bem vinda, então
a esta celebração!
… Outras virão…
acabamos de ler, vieram-me as lágrimas aos olhos várias vezes, ainda não sei se pela coragem e discernimento se pela triste realidade que descreve. Penso que pelas duas coisas. Em todo o caso, parece-me que é uma mensagem de esperança, que não vale a pena continuarmos a esconder esta e muitas outras realidades, que podemos e devemos dizer o que pensamos, porque o papão não está atrás da porta para nos comer. Sobretudo fiquei muito impressionada com a maturidade das respostas. Se todas as figuras públicas, e em particular os políticos, tivessem essa maturidade, poderíamos ser um país muito melhor. Até porque parece-me que a maioria das respostas dadas poderiam aplicar-se a muitos outros aspectos da sociedade. Como aliás é dito na entrevista, isto tem a ver com a nossa incapacidade, como sociedade em geral, de vencer o medo. Nesse sentido, esta entrevista foi uma brecha aberta, um pouco de luz. Obrigada.
Um dia li que disse lamentar que em Portugal as pessoas não digam aos seus artistas que gostam deles. Não estou a citá-la, apenas procuro exprimir uma ideia que memorizei de uma entrevista que deu há anos.
Queria dizer-lhe que a admiro pelos seus tantos talentos! Poderei dizer que o mais recentemente revelado é a subscrição da petição do Movimento para a Igualdade (MPI) acompanhada do coming out “formal”?
A entrevista a “O Público” vem apenas confirmar que a espera a que nos devotou tantos anos tinha uma razão de ser. Tê-lo feito mais cedo serviria apenas para alimentar o apetite corrosivo de publicações que não são imprensa. Defendi e defendo que só deve “expor-se” quem assim o deseja. Revelar a nossa orientação sexual não é uma obrigação, para ninguém.
Mas a Ana esperou. E escolheu a causa e a ocasião certas. Independentemente das pressões, das repetidas perguntas sobre a sua vida privada, dos rumores, dos boatos, da indelicadeza de alegados profissionais da informação.
Creia que a sua participação na subscrição da petição do MPI é também uma manifestação do seu talento, um dos que me deu, e certamente a muitas outras Mulheres, uma grande alegria.
Estou neste momento a escrever sobre o Portugal homossexual para uma revista GLTB na Alemanha. Tema dificil. Visto que em um dia que estive aí em Lisboa pouco pude ver, poucas pessoas contactar. Depois as lembrancas do passado vivido aí.
Mas ví o que descreve, este paradoxo de encontros ao ar livre em pleno Bairro Alto, e o constrangimento perante as minhas perguntas sobre homosexualidade. Festa e medo a mistura. E triste. Mas tenho esperanca que o MPI vá talvez mudar algo. E fiquei feliz ver a sua coragem de se assumir públicamente. Temos todos de lutar nao se calarem mais perante essa homofobia. Obrigado, assim talvez pessoalmente também terei a coragem de saír do meu “exilio” escolhido e de me assumir também em Portugal perante a minha familia da maneira como sou. Obrigado
[...] In Ana Zanatti [...]
Carta aberta a Zanati:
Zanate, que disparate…. agora é que fazes parte?
Depois de tanta arte
Em esconder
O que de ti faz parte
Tás nesta da visiblidade
O que pode ser vaidade
No entanto, neste país
Cheio de atavismos
De coisas boas
e abismos
Fizeste bem em não cair
Como eu
Na armação
de dar a cara bem cedo
sem estatuto e sem medo!
És bem vinda, então
a esta celebração!
… Outras virão…
acabamos de ler, vieram-me as lágrimas aos olhos várias vezes, ainda não sei se pela coragem e discernimento se pela triste realidade que descreve. Penso que pelas duas coisas. Em todo o caso, parece-me que é uma mensagem de esperança, que não vale a pena continuarmos a esconder esta e muitas outras realidades, que podemos e devemos dizer o que pensamos, porque o papão não está atrás da porta para nos comer. Sobretudo fiquei muito impressionada com a maturidade das respostas. Se todas as figuras públicas, e em particular os políticos, tivessem essa maturidade, poderíamos ser um país muito melhor. Até porque parece-me que a maioria das respostas dadas poderiam aplicar-se a muitos outros aspectos da sociedade. Como aliás é dito na entrevista, isto tem a ver com a nossa incapacidade, como sociedade em geral, de vencer o medo. Nesse sentido, esta entrevista foi uma brecha aberta, um pouco de luz. Obrigada.
Um dia li que disse lamentar que em Portugal as pessoas não digam aos seus artistas que gostam deles. Não estou a citá-la, apenas procuro exprimir uma ideia que memorizei de uma entrevista que deu há anos.
Queria dizer-lhe que a admiro pelos seus tantos talentos! Poderei dizer que o mais recentemente revelado é a subscrição da petição do Movimento para a Igualdade (MPI) acompanhada do coming out “formal”?
A entrevista a “O Público” vem apenas confirmar que a espera a que nos devotou tantos anos tinha uma razão de ser. Tê-lo feito mais cedo serviria apenas para alimentar o apetite corrosivo de publicações que não são imprensa. Defendi e defendo que só deve “expor-se” quem assim o deseja. Revelar a nossa orientação sexual não é uma obrigação, para ninguém.
Mas a Ana esperou. E escolheu a causa e a ocasião certas. Independentemente das pressões, das repetidas perguntas sobre a sua vida privada, dos rumores, dos boatos, da indelicadeza de alegados profissionais da informação.
Creia que a sua participação na subscrição da petição do MPI é também uma manifestação do seu talento, um dos que me deu, e certamente a muitas outras Mulheres, uma grande alegria.
Estou neste momento a escrever sobre o Portugal homossexual para uma revista GLTB na Alemanha. Tema dificil. Visto que em um dia que estive aí em Lisboa pouco pude ver, poucas pessoas contactar. Depois as lembrancas do passado vivido aí.
Mas ví o que descreve, este paradoxo de encontros ao ar livre em pleno Bairro Alto, e o constrangimento perante as minhas perguntas sobre homosexualidade. Festa e medo a mistura. E triste. Mas tenho esperanca que o MPI vá talvez mudar algo. E fiquei feliz ver a sua coragem de se assumir públicamente. Temos todos de lutar nao se calarem mais perante essa homofobia. Obrigado, assim talvez pessoalmente também terei a coragem de saír do meu “exilio” escolhido e de me assumir também em Portugal perante a minha familia da maneira como sou. Obrigado
Obrigada pela coragem!